Marco Polo Guimarães





Nasceu em 31/03/1948, em Recife, PE. Jornalista, escritor, poeta e músico.   Aos 20 anos já mantinha um coluna literária no Diário da Noite, do Recife, mas também trabalhou como repórter do Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e Jornal da Tarde  (SP) no período 1968-1975. Em 1975 retorna ao Recife para comandar a Editoria de cultura do Jornal do Commercio por 23 anos. Foi assessor de imprensa da Fundação de Cultura de Olinda (1989-1990); Diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (1999-2000) e Editor da revista Continente Multicultural, desde 2000. Seu primeiro livro – Vôo subterrâneo – foi de poesia e saiu em 1986; o segundo foi um livro de contos: Narrativas (1992); o terceiro é de memórias: Memorial(1996). Daí em diante só publica livros de  poesia: Brilho (1996);Palavra clara (1998); A superfície do silêncio (2002); Caligrafias(2003). Cantor e compositor, integrou o conjunto musical  “Ave Sangria” e participou das coletâneas Asas da América – Frevo I e II. Tem músicas gravadas por Ney Matogrosso, Teça Calazans e Zezé Motta, entre outros.


Fonte: biografia (Tiro de Letra)
            Poemas ( Jornal de Poesia)








Blue
Marco Polo Guimarães





Com Eric Clapton, um branco,
Aprendi um pouco de blue;
O toque mínimo da guitarra,
A busca de perfeição.
Aprendi que música não tem pressa
E o tempo
É uma coisa a ser tecida.

Com Robert Johnson, um preto,
Aprendi um pouco de blue;
Que música é outra maneira de dizer silêncio.
Aprendi que só valem a pena as palavras
Que mudem a cor do dia.








Paisagem
Marco Polo Guimarães





Corvos num campo de trigo
Medem a extensão do silêncio,
Este silêncio que é vácuo,
Este silêncio inimigo.

Voam com asas quebradas
Sob um sol limpo de vidro,
Num céu deserto de tudo,
Dentro de um vento infinito.

Quem pode ver na paisagem,
Nesta paisagem calada,
Algo que cale o presságio?

Corvos num campo de vidro
(corvos num campo de neve),
Neste silêncio há um tiro.








Sem título
Marco Polo Guimarães





São esses meninos de rua
São esses gravetos grávidos
São esses dançarinos magros
São uns esqueletos ágeis
São estes tabiques frágeis
É o eco ecoando tarde
É a rua escoando merda
É a perna melada de sangue
É a lua escancarada a bala









O leitor, o escritor
Marco Polo Guimarães






Enquanto a noite pinga
Lentamente sua tinta
E o sol se despedaça
Na funda mina da mente
Navegas um mar repleto
De sangue e ar, mar completo
De dança e gesto, discreto
Perfume e lâminas claras
Secreto labirinto e franca
Viagem na página branca










Pela manhã
Marco Polo Guimarães





Pela manhã os pássaros
Vestem plumagens limpas.

O rio é um silêncio líquido. As árvores
Foram lavadas com águas verdes.

Pela manhã o canto claro do galo
Atravessa o túnel longo do sono.

Algo estala as sementes.
Algo como um aroma de frutas.










Presença
Marco Polo Guimarães






Tu eras tudo ao redor
O cão que passa em silêncio
A ave canora na gaiola
O céu puído de tanto sol
O domingo inteiro petrificado











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